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Advogados orientam sobre como pais de crianças com autismo podem buscar restituição de IRPF

16 de abril, 2026
IRPF, autismo, restituição de imposto, direito tributário, TEA
Advogados orientam sobre como pais de crianças com autismo podem buscar restituição de IRPF

Resumo: Com a proximidade do prazo final para a declaração do Imposto de Renda, advogados especializados em direito tributário e à saúde destacam a possibilidade de pais de crianças com autismo buscarem a restituição de valores gastos com terapias e tratamentos. Embora a legislação não preveja explicitamente a dedução de todas as despesas relacionadas ao TEA, decisões judiciais têm reconhecido o direito à restituição de IRPF sobre valores pagos a profissionais de saúde e educação especializados, como terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos, quando comprovada a necessidade e a falta de cobertura por planos de saúde. A matéria aborda a importância da guarda de recibos e laudos médicos para comprovação.

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Advogados orientam sobre como pais de crianças com autismo podem buscar restituição de IRPF

A Receita Federal tem negado pedidos de restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) para pais de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) que buscam o benefício de isenção previsto na Lei nº 7.713/88. A legislação prevê a isenção para pessoas com deficiência, mas a Receita tem interpretado que o benefício se aplica apenas ao próprio portador da deficiência, e não aos seus dependentes.

No entanto, advogados especializados em direito tributário e saúde têm argumentado que a interpretação da Receita Federal é restritiva e contraria o espírito da lei, que visa proteger e garantir direitos às pessoas com deficiência. Eles defendem que os pais ou responsáveis legais de crianças com autismo, que arcam com os altos custos de tratamentos e terapias, deveriam ter direito à isenção ou restituição do imposto.

O que diz a Lei nº 7.713/88?

A Lei nº 7.713/88, em seu artigo 6º, inciso XIV, estabelece a isenção do Imposto de Renda para proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, nos casos de moléstias graves, como cegueira, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, entre outras. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) não está explicitamente listado, mas a jurisprudência tem reconhecido a condição como deficiência para fins de outros benefícios.

A controvérsia surge porque a isenção do IR, conforme a interpretação da Receita, é para o próprio contribuinte que possui a doença ou deficiência. No caso de crianças com autismo, elas são dependentes e, portanto, não são os titulares da renda que está sendo tributada.

Argumentos dos advogados

Advogados argumentam que a interpretação deve ser mais ampla, considerando o princípio da dignidade da pessoa humana e a proteção à pessoa com deficiência. Eles destacam que os custos com tratamentos, terapias e acompanhamento de crianças com autismo são elevados e impactam significativamente o orçamento familiar.

“A isenção do Imposto de Renda para pessoas com deficiência visa compensar os custos adicionais que essas famílias têm. Negar esse benefício aos pais de crianças com autismo é desconsiderar a realidade e o peso financeiro que recai sobre eles”, explica a advogada tributarista Ana Paula Silva.

Outro ponto levantado é que, em muitos casos, um dos pais precisa reduzir a jornada de trabalho ou até mesmo deixar de trabalhar para se dedicar aos cuidados da criança, o que diminui a renda familiar e agrava a situação financeira.

Como buscar a restituição

Diante das negativas administrativas da Receita Federal, a via judicial tem sido o caminho para muitos pais. O processo geralmente envolve as seguintes etapas:

  1. Reunião de documentos: É fundamental ter em mãos laudos médicos detalhados que comprovem o diagnóstico de TEA, notas fiscais e recibos de todos os gastos com tratamentos, terapias, medicamentos e acompanhamento especializado.
  2. Pedido administrativo: Embora a Receita Federal geralmente negue, é importante fazer o pedido administrativo de restituição. Isso serve como prova de que a via administrativa foi esgotada antes de recorrer à Justiça.
  3. Ação judicial: Com a negativa administrativa, os pais podem ingressar com uma ação judicial. É crucial contar com um advogado especializado, que poderá argumentar sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade da interpretação restritiva da Receita Federal.
  4. Jurisprudência favorável: Embora ainda não haja uma decisão definitiva em tribunais superiores sobre o tema, existem decisões favoráveis em instâncias inferiores que podem servir de precedente.

“Temos visto um número crescente de pais buscando a Justiça para garantir esse direito. A jurisprudência está se formando e, embora seja um processo que exige paciência, as chances de sucesso são reais”, afirma o advogado Carlos Eduardo Pereira, especialista em direito da saúde.

Impacto financeiro e social

A concessão da isenção ou restituição do IR para pais de crianças com autismo não é apenas uma questão financeira, mas também social. Ela representa um reconhecimento do Estado sobre os desafios enfrentados por essas famílias e um suporte para que possam proporcionar o melhor tratamento e qualidade de vida para seus filhos.

A luta por esse direito também contribui para a conscientização sobre o autismo e a necessidade de políticas públicas mais inclusivas e de apoio às famílias.

Para os pais que se sentem lesados, a orientação é buscar o quanto antes o auxílio de um profissional do direito para analisar o caso e iniciar os procedimentos necessários.

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Fonte original:

Gazeta do Povo

https://www.gazetadopovo.com.br/economia/advogados-orientam-sobre-como-pais-de-criancas-com-autismo-podem-buscar-restituicao-de-irpf/

Todos os direitos autorais pertencem à fonte original. Este conteúdo foi adaptado e republicado exclusivamente para fins informativos e educacionais.

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